quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Diário de Bordo XII

Em uma prateleira, os sonhos, na da frente os pesadelos,
O corredor , com uma placa indicando-o como corredor da solidão,
estou parada ao redor de sentimentos que escolho para compor meu carrinho.
No mercado da ilusão, divido o tempo entre olhar as ofertas facéis, do mais barato sentimento, talvez do mais banal.
- Olha este aqui, seu rotulo diz algo , que não compreendo, talvez deixando claro que esse tipo de sentimento , tapa pequenos buracos, e seja noturno. Algo como a sensação qualquer, de beijar alguém qualquer.
- Vejo numa lata contida e cara, carinho e afeto sincero, sentimentos nobres, colhidos durante o mais intenso verão, e tão caro quanto, eram os olhos sinceros e perfeitos que eu vi estampado na lata.
Andei um pouco e entre as prateleiras vi amizade, e tudo que era mais simples, era o de melhor qualidade, peguei algumas e coloquei cuidadosamente no carrinho, para levar comigo.
Achei que valia a pena vasculhar o mercado, em busca de novidades, e percebi que todos os corredores eram da Solidão, ela quem distribui os meus sentimentos-mantimentos. Me vi em um espelho, e nele dizia : você vê o que realmente é, e não o que os outros querem que você seja.
Não tive duvidas, levei pra casa.
Entre tantos sentimentos nobres, e caros, simples, e importantes, encontrei uma pacote de Amor , numa prateleira qualquer da vida, peguei-o com carinho, e senti que a tristeza veio de graça, sem que eu precisasse pagar por ela, e perguntei sozinha, porque o Amor trás de graça um sentimento tão perturbador como a tristeza, ao passar no caixa , a gentil moça me disse, que só levamos pra casa o que realmente precisamos, e que a tristeza, embora venha como brinde , pendurada no pacote do amor, é apenas pra lembrar que a Felicidade vem em pacotes muito maiores, e que se hoje está em falta, é Preciso esperar que o gerente do mercado, o Sr. Tempo, junto com o sua Diretora, a Sra Luta, não meça esforços para trazes felicidade para as prateleiras da vida, a tristeza só vem de brinde, porque se encontra em abundância no mundo, ela não acompanha o Pacote do amor, porque não está do lado de dentro, é um pequeno pacote avulso.
A Gentil moça me disse, que por mais que eu queria levar os medos pra casa, só posso levar pequenas quantidades, pois esse produto faz mal, mas sem ele, nos alimentamos de incertezas. E isso é ruim.
- hoje guardo suas palavras junto com as latas de carinho :
- Ela me disse que o amor, se encontra nos corredores da Solidão.
Está lá, parado, esperando que alguém tão incerto cruze seu caminho, sorte daquele que o achar nos corredores da vida, mas é preciso saber olhar com os olhos certos, e esperar que o Sr. Tempo traga algo valioso e de qualidade, para que eu possa levar pra casa. E asssim reconhecer que o Sr Tempo é de Deus.
Sai do mercado com o necessário, e com algumas palavras a mais no coração

O que você tem trazido do seu supermercado? Ele tem acrecentado na sua Vida?
Sua compras tem valido a pena? Pense um pouco no que você faz com o seu carrinho, e deixa Deus encher esse carrinho pra você
Tempo - espere e tudo será dado além do necessário
Luta - precisa de luta pro tempo de Deus se cumprir
Deus Abençoe vocês!
Abraço
Charlene Lourênço

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Diário de Bordo XI

'e voltam a Sião aqueles que o Senhor recuperou, e voltam cantando hinos de louvor'

Aos  15 anos eu comecei a ir no grupo de Jovens, sempre fui muito tímida, mas muito observadora, e amava estar ali perto de Deus, sempre me emocionava com a palavra, principalmente quando falava de Família, pois meus pais se divorciaram quando eu tinha de 9 para 10 anos, perdi  boa parte da minha Infância, pois tinha que ficar dentro de casa enquanto eles trabalhavam, foi sofrido na época ver todas as crianças brincando menos eu, mas depois pude ver que eu ‘amadureci’ mais rápido que elas. Tenho um irmão mais velho que eu, que foi embora de casa, se casou, separou, voltou, foi embora de novo e se assumiu Gay. E durante o grupo eu realmente tinha encontros pessoais com Deus, ia nos eventos Católicos, e no grupo de jovens todo sábado e depois sempre saiamos para comer lanche e beber uma Coca-Cola, ( era muito bom, eu adorava )
Quando eu saia com algumas amigas da escola, nós sempre tomávamos vinho, mas no começo era só quando eu saia com elas, mas eu nunca me senti dependente do álcool .
 Bom em MARÇO de 2008 eu descobri que uma cantora que eu gostava muito ia fazer um show em Jaguariúna na Red. Eventos ( estrada de Jaguariúna/Campinas), a cantora era Ana Carolina que canta MPB. Bom quando soube desse show me desesperei pra ir, sabia que ia ser muito caro, e pedi de aniversário pro meu Pai, faria aniversário em maio, mas o show ainda não tinha data marcada, por conta disso eu precisava de informações sobre o show, valores, como era o local, como faria pra chegar e etc..
Comecei a faltar muito da escola, era meu ultimo ano. Ficava na internet esperando alguém postar alguma novidade no tópico da Comunidade, e os dias se passavam, se passavam, saiu a data! Seria em Setembro, sem valores, sem mais informações, continuei faltando muito da escola, ia uma vez por semana ou nem isso, bom o show de setembro foi desmarcado. Mas informando que sairia uma nova data, e continuei esperando, chegamos em JULHO, saiu a nova data seria dia 19 de DEZEMBRO de 2008, e sentaria na primeira fileira por 200.00 reais.
Bom nesse jogo de dois ‘mundos’ umas das coordenadoras do Grupo de Jovens me chamou pra ir no PHN.
Fui no PHN 10 anos ‘Eu faço parte da Transfiguração, e foi lindo, cativante, conheci pessoas maravilhosas, mas ainda me mantive no canto observando. Recordo-me que no Rincão ainda tinha arquibancada, quem conhece a Canção saberá o que digo, e teve show da Eliana Ribeiro, e as únicas musicas que eu conhecia que ela cantou, eram as que não era dela, por que meu irmão antes de se assumir Gay, me passou sua musicalidade, e ele gostava muito da Adriana, Celina Borges, cantores independentes, não exatamente Canção Nova, e levantei da Arquibancada quando a Eliana cantou ‘Derrama o Teu Amor aqui’ e ‘Vento Impetuoso’ e só, não queria estar ali, o que eu estava fazendo ali? Naquele frio cortante? Eu não vivia mais
 nada apenas a data do dia 19 de DEZEMBRO de 2008. Escola? Nem ia mais. Saia muito pra beber, sempre bebi muito, escondido dos meus pais claro. Todos os professores da escola me cobravam presença, por e-mail, recado no Orkut, e eu apagava sem ler, não era o que eu queria e pronto.
E passa JULHO, AGOSTO, SETEMBRO, OUTUBRO, e passa ESCOLA, dia 15 de novembro a Diretora da escola me liga, com o seguinte recado: - Charlene, não sei o que se passa na sua Vida, mas sei o que passa no seu rendimento escolar, cadê você? Cadê a menina que Jogava Vôlei com toda força? Cadê a menina que era a mais alegre nos jogos de futebol?  Cadê a minha torneirinha de asneiras , cadê a Charlene que eu conheço? Eu estava de saída pra uma bebedeira, e disse: - Ah diretora segunda a gente se fala, tenho que sair. E ela me pediu pra ir mesmo pra repor aulas, senão eu ia perder o ano e teria que fazer o 3º colégio de novo! Minha mãe nem sabia que faltava à aula, por que eu sempre saia depois dela e chegava antes, então ela não sabia. Bom com o ingresso do dia 19 comprado, passagens compradas, hotel pago, só me restava esperar, O GRANDE DIA!
Minha coordenadora de grupo de Jovens interviu mais um vez e me chamou pra ir no Hosana Brasil
Dia 5 de dezembro de 2OO8, fui no Hosana Brasil, chorava muito com todas as pregações, meu coração estava sangrando. Mas ainda me mantive calada, só observando e morrendo por dentro.
O show do Diácono Nelsinho Correa foi uma graça que eu pude deixar o medo de lado, e ver Deus sorrindo pra mim. E logo após entra Eliana Ribeiro no palco, no qual conduziu inspiradamente ‘Espera no Senhor’, e até cheguei a perguntar pra Deus, será que devo ir naquele show? (mas eu perguntava já com o pensamento: ‘ah paguei caro tenho que ir’) e isso me deixava cega e não me deixava ver o que Deus queria me dizer, ela conduzindo a musica, e eu me esforçando por um sinal que eu mesma não queria ver, bom o show acabou, depois eu a encontrei , tirei uma foto, foi lindo, mas ainda faltava algo. E voltei pra casa com esse algo faltando, então...

No mesmo ano de 2OO8, no dia 19 de dezembro, foi quando eu cai no Abismo. Um abismo aparentemente sem volta, para com forças enfraquecidas que eu tinha na época. Fui ao show da cantora Ana Carolina, sempre gostei das músicas, era apaixonada, fanática mesmo. Ali naquele show eu experimentei de tudo, a bebida mais forte, a droga, o cigarro, e o beijo gay. Voltei pra casa me achando a FODA né. E depois desse show eu fui a mais quarenta e sete shows dessa mesma cantora, sem meus pais saberem eu juntava dinheiro, inventava planos mirabolantes para ir. Tudo pra conseguir uma foto, um olhar, mas o que ia mesmo embora era o dinheiro dos meus pais. E eu consegui mesmo uma foto no dia do meu aniversário de 18 anos, mas assim como meu aniversário acabou a alegria de ter tirado aquela foto também se foi. E passa 2008, (consegui passar nas provas e meu dever com o Governo em questão de escola eu cumpri) e vem  2009 ... Comecei a Namorar uma garota, mantive esse relacionamento durante 11 meses com aliança e tudo. Fui embora da casa dos meus pais, fui morar em São Paulo, para ficar mais perto dela. Não deu certo e acabou...
Enfiei o orgulho não sei onde, e como um cão arrependido voltei pra minha casa. A primeira coisa que fiz quando cheguei aqui? Fui pra balada gay, bebidas, cigarros, drogas. Meus pais nem sonhamvam com isso, pois o meu irmão é homossexual assumido e nem mora mais conosco, resolvi não assumir na época por que eu sabia que não era isso que Deus queria de mim.
Bom fui à casa de uma amiga minha, e estava tocando assim ‘Eu abro mão dos meus sonhos pra Deus sonhar em mim’ e perguntei se era a Eliana Ribeiro que estava cantando, pois eu já tinha ouvido aquela música, mas era uma melodia diferente, ela disse que era, e eu rapidamente pedi emprestado, não sei por que, mas pedi. E cheguei em casa por volta das 21:00  e coloquei aquele CD no aparelho de som, e fiquei ali mesmo sentada no chão em frente aquele aparelho, e eu ouvia, ouvia, ouvia, repetida vezes e aquele ato de ouvir não me dizia nada, mas também não tirei o CD, fiquei sentada no chão ate as 4:30 da manha, eu chorei muito, lágrimas caiam como pedra de tão pesada que estava. Ai passou uma semana eu voltei a sair de novo, com as mesmas pessoas, me afundando cada vez mais no abismo, eu saia do caminho toda hora.
Comecei a ler à bíblia, os salmos, a vontade de sair de casa cessou. Mas algumas amigas de época da escola, as amigas do vinho estavam na cidade. E me chamaram pra sair. Fui.
Nesse encontro eu bebi muito, bebi vodka misturada com H2O e mais suco de morango, vinho, conhaque e fiz a mistura, o famoso Coquetel. Ai chegaram alguns amigos nossos, e nos chamou pra irmos a uma chácara, e quando você bebe você vai pra onde o povo vai, e quando eu bebia muito eu ficava com vontade de beijar, ficava mais carente do que já sou no normal, ficava com quem for. Cheguei a beijar 11 meninas em uma festa, de tão ruim que eu ficava.Ja fiquei com 38 mulheres, já fiquei mais com mulheres do que com homens...
Fumamos o famoso narguile, mas não foram todas as meninas, foi só eu e mais uma, e os garotos. E eu tão ruim, pensei que ali seria meu fim, um dos meninos quase abusou de mim, mas minha amiga me ajudou. Eu nunca disse isso pra minha mãe por que ela vai me julgar, e não é disso que eu precisava no momento. Ai esses mesmos amigos me chamaram pra sair na semana seguinte, não quis ir, eu não conseguia dar uma motivo pra não ir, apenas dizia NÃO, quem sabe outro dia. E me afastei. Ai na madruga de segunda para terça feira eu tive um sonho...
‘Eu sonhei que estava no fim dos dias, que a morte ia ser travada, e eu escolhi ir com o demônio, e não tive salvação’ acordei muito apavorada, mas guardei pra mim.
Na madrugada de terça para quarta-feira eu sonhei de novo...
‘ Sonhei que eu estava em um show católico, não sei como fui parar ali, e também não me lembro quem estava cantando, e eu estava atrás do palco, longe do grande publico, ai não sei como eu virei palco e aquela multidão platéia, ai escorreguei e voltei a ser platéia de novo, ai eu vi as pessoas que estavam ali, vinham em minha direção com cacos de vidro, e a pessoa que estava no palco, me dava a mão pra me resgatar, eu fiz de tudo pra pegar na mão daquela pessoa, mas não consegui, e fui pisoteada cheia de cacos, ai quando tudo se acalmou, ninguém mais estava naquele lugar,o palco foi desmontado, as pessoas foram embora, e a vida seguia lá fora, e no surreal de acordar e sentir toda dor dos cacos em meu corpo eu estava acordando, e um homem de branco veio e me pegou no colo, ( eu senti que era como se eu me arrependesse de ultima hora, de tentar pegar naquela mão que alguém me estendeu, na ultima hora mesmo, ele veio ao meu encontro ), como diria Padre Fabio "A nossa vida é um presente de Deus. É preciso acordar e perceber que Deus está conosco em todos os momentos.".
Acordei, não liguei o computador que é o que sempre faço, não atendi telefone, queria a casa e meu coração em silêncio, nem o Cd Barco a Vela eu coloquei no aparelho de som. Silêncio, só com o som das crianças na rua, carros e cachorros, queria esperar minha mãe chegar e contar a ela...
Contei tudo pra minha mãe e sobre sonhos também, e ela me disse que era um chamado de Deus, que era pra eu rezar, e pedir orientação pra ele. Comecei com Romanos 12-2, que ela me indicou pra descobrir a Vontade de Deus na minha Vida, e esse CD, foi a minha abertura de coração pra Deus.
Sofri algumas tentações depois do meu sim, mas quem não as sente!
Eu vi pessoas que eu considerava amigas, me testando, tirando sarro via twiiter, uma vez elas postaram assim ‘será que os cacos de vidro tão cortando hoje’, e fora as piadinhas na rua né ‘ah a beata’ entre vários, mal sabem elas que agindo assim me ajudaram manter meu SIM.
Bom logo em seguida mais uma manifestação do amor de Deus, em uma jogada de sorte, ganhei o ingresso para a gravação do DVD do Dunga.
Encontrei pessoas maravilhosas lá, e na Gravação eu pude falar com a Eliana, mas não contei a ela, não sentia que era a hora, ou a hora não existia, mas conversamos um pouco, foi legal, fiquei para o PHN, passei uma semana na Canção Nova depois de tudo que Vivi, o amor de Jesus batia quente e forte no meu coração.
Assim que voltei da Canção Nova, passou um tempo e no dia 04 de Agosto, nasceu a comunidade Entra no Barco, por que foi isso que eu fiz, Entrei no Barco e fiz a experiência.
Encontrei pessoas, força, amor, carinhos, amizade, encontrei e senti o verdadeiro amor de Deus vindo de sesus seguidores! Quanta alegria essa comunidade me trouxe me traz...
A Comunidade se programando pra se encontrar, tivemos a alegria da Eliana nos acompanhar em uma visita ao Santuário de Aparecida, e por providencia, sem programar, ou forçar uma situação, a Eliana me fez uma pergunta que mudou o rumo da converssa, ela fez as seguinte perguntas.
Eliana diz: - Você tem irmão?
Gente me diga, por que ela já perguntou do irmão? Ela podia perguntar se eu tinha Pais né?
eu respondi:
Charlene diz: Sim (bem já querendo mudar de assunto) e ela continuou...
Eliana diz: - Casado?
Charlene diz: Casou, separou e virou gay.
e isso deu inicio a nossa conversa, no caminho de volta a Cachoeira Paulista, Eliana pediu que eu me sentasse ao seu lado do no ônibus, e assim o fiz, e pude contar tudo isso a ela, acredito que ali eu me encontrei novamente com Jesus, e Eliana também, me senti acolhida!

E hoje viver o PHN, fazer de JESUS o absoluto dos meus dias, e sempre acrescentar ‘calo o meu querer pra ouvir o que Deus quer’, tem me acrescentado muito, não estou bebendo mais, não fumo mais, sempre gostei muito de escrever, e hoje gosto ainda mais. Sei que a minha missão não é só ter um encontro pessoal com Jesus, mas a partir desse encontro eu ajudar quem no abismo se encontra, por que não vejo por que seguir outro caminho a não ser o do ETERNO!
Agradeço o  SIM da Eliana pra Deus, por que ele foi a chave que eu peguei pra entrar no barco, eu costumo dizer que eu pegava estrelas no fundo do mar, e hoje  dentro do barco com Jesus eu posso tocá-las no Céu! Obrigada!Obrigada Canção Nova. Seja bem vinda a minha Vida ta?
‘Bendito seja Deus por que em mim realizou Maravilhas’
e naquele dia ao cair da tarde eu entrei no barco e virei tripulante, entre a faz essa experiência também, pra onde vamos? – Não sabemos – Mas Jesus está conosco, então Venha por que ele é Luz,  deixa-se amar por esse Deus que te chama a ser tripulante desse barco!
Sou Vida, sou Cor,
 sou de Deus e Vivo conforme seu amor!
e ainda virá muito mais, eu creio!
Obrigada Eliana Ribeiro, Obrigada Comunidade Entra no Barco, pela dedicação de cada dia!
Hoje dia 18 é meu dia de festa, um ano de volta pra Deus!
Amo vocês
Deus Abençoe
Abraço Forte
Charlene Lourênço



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Diário de Bordo X

Cuida pois da tua rosa, ja que todas tem espinhos...
havia pétalas por toda parte, rosa desfolhada, à dor se entregou.
como juntar suas partes? estava inundada, arrasada, estava sem reação.
preferiu esquecer a verdade, para não sofrer.
confuso sentimento, desprezando a humildade do recomeço.
a chegada das lágrimas, purificadoras, foram usadas de forma errada.
Espinhos nunca foram boa companhia. mas a rosa deveria saber que
só enquanto respirar precisaria dos espinhos para manter-se essência.
malditas escolhas, miseráveis sentimentos das flores, tão filauciosas.
preferiu perder parte de si, do que conviver com os espinhos.
será covardia? morrerá só, seca, afinal, todas as rosas têm espinhos,
e por mais que os arranquemos, sempre crescerão.
e o mais provocante é saber que as pétalas murcharão,
as folhas apodrecerão, mas os espinhos sempre estarão lá.
sempre faltará algo se aqueles espinhos ali não estiverem.
DEUS? sim, dessa forma Ele quis, para que nosso caminho
cercado por rosas de espinhos, não se desviasse.
pobre rosa, compadeci-me,
ainda não sabe que se ela perder os espinhos,
deixa de ser rosa.

Jesus suportoru todos os espinhos de sua coroa, sem recalamar, e ai? Quais são os seus espinhos não suportáveis?
Reflita
se você perder os espinhos deixa de ser rosa, pois só a rosa os tem!
Fiquem na Graça
Deus Abençoe

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Diário de Bordo IX

 A Igreja não é a casa da mãe Joana!

Todo mundo deve saber o significado da expressão a "casa da mãe Joana". E, se você não souber, vai ficar sabendo, já! O texto a seguir, fui buscá-lo na internet, essa porta sem fronteiras da modernidade tecnológica: "Ensina Câmara Cascudo que a expressão se deve a Joana, cujo nome completo se desconhece, que viveu na Idade Média entre 1326 e 1382 e foi rainha de Nápoles e condessa de Provença. Teve uma vida atribulada e em 1346 passou a residir em Avignon, na França, segundo alguns autores por ter se envolvido em uma conspiração em Nápoles de que resultou a morte de seu marido, segundo outros por ter sido exilada pela Igreja por causa de sua vida desregrada e permissiva. Em 1347, aos 21 anos, Joana regulamentou os bordéis da cidade onde vivia refugiada. Uma das normas dizia: 'o lugar terá uma porta por onde todos possam entrar'. Transposta para Portugal, a expressão paço-da-mãe-joana virou sinônimo de prostíbulo. Trazida para o Brasil, o termo paço, por não ser da linguagem popular, foi substituído por casa e casa-da-mãe-joana e serviu, por extensão, para indicar o lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde imperam a desordem, a desorganização". Como vêem, a internet pode ser um auxílio necessário à superação de nossa ignorância, até mesmo para curiosidades desse tipo. Espero que a expressão tenha sido entendida pelo meu leitor, mas, se não, vamos instigar nossa massa cinzenta.
Na verdade, eu não sei nem conheço o meu leitor, embora saiba que, vez por outra, alguém me aborde na rua para dizer que leu e gostou, ou não, do texto. O fato é que, apesar de ter de falar certas verdades incômodas, minha intenção não é, nunca, ferir a sensibilidade de quem quer que seja, mas, sobretudo, suscitar uma reflexão oportuna sobre comportamentos que não condizem com certas circunstâncias e lugares, no caso específico, refiro-me a atitudes sem propósitos que muitos hereges de plantão querem fazer dentro da Igreja. Nunca aparecem lá, e quando vão, pensam em querer fazer dela a "casa da mãe Joana". Independentemente do que você faça ou realize como profissional, responda-me com sinceridade: "Você gostaria se alguém chegasse a seu lugar de trabalho - seu escritório, seu gabinete, sua casa, sua loja, seu supermercado, seu departamento de vendas, sua cozinha, sua barraca, sua empresa, sua farmácia - e começasse a mudar tudo de lugar, simplesmente, porque não gostou da disposição das coisas?" Pode até ser que algum desorientado responda de maneira positiva, mas, o normal, é que diga: "Não, não gostaria!". Então, por que na Igreja tudo deve ser permitido? Especialmente em "missas de formatura" - que é um termo inapropriado para a celebração Eucarística, porque não existe "missa de formatura" - e em casamentos, muitos aborrecimentos chegam pelo fato de que muitas pessoas, não habituadas com a celebração litúrgica, não conseguem distinguir a diferença entre a Igreja, que é o espaço sagrado do louvor e do culto prestado a Deus, cuja presença está no Sacrário, permanentemente, e outro qualquer salão de festas, ou, quando não, um salão de debutantes. Quando digo que não "há missa de formatura", quero dizer que a Liturgia da Igreja é uma só, e já está pronta no Missal Romano para as diversas circunstâncias da vivência cristã. Não somos nós que a reinventamos com as chamadas "adições inoportunas", como bem caracterizou o Papa Bento XVI.
Aí, pensa-se poder cantar de tudo, desde que cada um sinta a pulsação emocionante de seu coração embalado pelo romantismo que, às vezes, é visto na televisão. E, quando as pessoas sérias da Igreja tentam dar uma orientação conforme as exigências próprias da sagrada Liturgia, são taxadas de intransigentes e mal educadas. Que o digam algumas pessoas entre cerimonialistas, fotógrafos, ornamentadores e cantores que, convidados a receberem formação litúrgica pela Arquidiocese, em 2010, quase em uníssono, manifestaram o desafeto em relação ao Padre da Paróquia "Jesus Ressuscitado". Nesse âmbito, o que eu considero mais engraçado - para não dizer o mais cínica e lamentavelmente deslavado - é que eles vão lá para ganhar dinheiro à custa da Igreja, e ainda querem dizer como o padre deve rezar a missa ou assistir ao matrimônio. Torço pelo dia em que a Igreja, de modo sereno e competente, chegue a gerir sua própria casa, também nesses momentos, sem precisar de vândalos interesseiros que muito perturbam o interior da Igreja quando, na verdade, deveriam favorecer o silêncio e a dignidade do ambiente sagrado ou o lugar do culto, onde está o Senhor presente na Eucaristia.
Ora, se a gente vai ao cinema não pode dar um "pio". No teatro, exigem educação, silêncio e respeito durante a apresentação. Quando se mora num apartamento, há um horário limite para determinados barulhos. Se alguém vai ter um encontro com uma pessoa que a julga importante, não vai com a primeira roupa que encontra pendurada no cabide do guarda-roupa. Certo dia, encontrei um jovem que foi à missa vestindo uma camiseta "regata". Então, perguntei-lhe: "Porque você não veio mais composto?" E ele respondeu: "Deus quer é o coração, não a veste". Sua falsa lógica provocativa não me dispensou imediato acinte: "Se é assim, porque não veio nu!". Se alguém não sabe, os especialistas em etiqueta afirmam que esse tipo de roupa não combina com nenhum evento social, a não ser com esporte e lazer. No fundo, o que falta é um pouco de bom senso e respeito pelas pessoas ao redor, e, de modo muito mais especial ainda, pelo Cristo, o dono da Igreja, presente no Sacrário. Incrível como nossa mediocridade e banalidade encontram justificativas e desculpas para tentar impor nossas razões hipócritas e incoerentes. E o que dizer dos aborrecimentos com os atrasos, que alguns os consideram "chiques"!?. Falta de educação e respeito nunca foram "chiques" em lugar nenhum. Infelizmente, fomos mal acostumados com o incisivo e provocante rifão do "atrasar é chique!". Entendo, que nem tudo poder ser, rigorosamente, vivido na dinâmica respeitosa da pontualidade, mas, atrasar mais de meia hora, deixando o padre esperando como um pateta, já é abuso. Agora, se for o padre quem atrasar, depois que os noivos e convidados tiveram entrado na Igreja, coitado dele! Já tivemos sérios problemas por conta disso. Mas, os direitos deveriam ser iguais, quer dizer, direitos e deveres.
Quem não cumpre os deveres, deveria perder todos os direitos, se não for capaz de encontrar legítimas e convincentes explicações para o seu atraso. De fato, esse é um problema que está presente na leviandade de muitas pessoas que não prezam por seus compromissos como deveriam, tratando-os com reverência e honradez. No aeroporto de Brasília, presenciei uma confusão instantânea feita por um casal que, chegando depois do tempo previsto para embarque, não o fizeram e perderam o direito para alguém que já estava na fila de espera, há mais de duas horas. A balbúrdia, a gritaria, e o descontrole foram notáveis no balcão de controle do embarque. Eles dançaram o "samba do caboclo doido", mas não viajaram. A orientação é para que se chegue, pelo menos, uma hora antes, em voos nacionais e, duas, em voos internacionais. No caso, da Igreja, que, graças a Deus, não vai decolar para lugar nenhum, o ideal seria que o padre atrasasse tanto tempo quanto os noivos atrasam, depois do horário marcado e previsto para o início da celebração. Aliás, quando isso acontece por alguns minutos, os ânimos se sublevam e se agitam se o padre não aparecer logo. Sendo que a celebração do Matrimônio é um momento muito importante na vida de todos, desde os noivos aos seus familiares e convidados, a exigência do diálogo se faz necessária, com todos os envolvidos na esteira da preparação e da realização do evento, a fim de que tudo aconteça na mais absoluta e desejada ordem. Com efeito, o casamento não é apenas um encontro social, em que nos produzimos para sair bem na foto e, consequentemente, no álbum. É mais do que isso, é um Sacramento que os noivos recebem prometendo respeito e fidelidade recíprocos por toda a vida. E, para tal atitude, contam com a graça recebida pelo Sacramento da Igreja.
Os sacerdotes não somos funcionários da arbitrariedade e da incompetência de quem não leva a sério a responsabilidade de seus compromissos, querendo transformar a Igreja na casa da mãe Joana, onde cada um faz o que quer, quando quer e pensa que pode. Nosso desejo é que a reflexão ajude-nos a rever nossos conceitos e valores quando nos aproximamos das coisas sagradas da Igreja de Cristo, no intento de não entregarmos "pérolas aos porcos" (Mt 7,6). Embora pareça dura, a expressão é de Cristo Jesus, ensinando aos Apóstolos o santo dever da consciência de não profanar as coisas santas de sua própria e amada Igreja.

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Pe. Gilvan Rodrigues dos Santos
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e Escritor
FONTE: Jornal da Arquidiocese de Aracaju/SE 2010